BOLETIM AGROMETEOROLÓGICO

JANEIRO

O mês de janeiro foi marcado por chuvas irregulares e em baixo volume (MAPA 1). Em praticamente toda a região agrícola do Brasil, o acúmulo de chuva ficou abaixo de 40 mm, como registrado nas regiões do MATOPIBA, Centro Oeste, Sudeste e na maioria do Sul do país. O Paraná recebeu um pouco mais de precipitação, com volumes chegando a marca dos 90 mm. Como consequência, a umidade do solo diminuiu nessas regiões (MAPA 2), dificultando o bom desenvolvimento das lavouras e diminuindo a produtividade da soja, milho, cana-de-açúcar e pastagens.

As temperaturas máximas oscilaram na faixa dos 30ºC (MAPA 3) em Minas Gerais e alcançaram 35°C no Tocantins e no norte do Mato Grosso, alcançando marcas históricas no Sudeste do Brasil. As mínimas (MAPA 4), por sua vez, mantiveram-se com valores próximos aos 15°C na região sul do país. 

O tempo e a agricultura brasileira

No Paraná, a falta de chuva e as altas temperaturas anteciparam o início da colheita da soja em duas semanas, explicando a perda de 30% na produtividade das lavouras em algumas regiões. Ainda no Estado, também há perdas expressivas na primeira safra de feijão que, associada com a redução da área plantada, indicam queda de 20% na produção da cultura no Estado.

Como observado anteriormente, o volume de chuva do Paraná se mostrou acima da média nacional, o que beneficiou as lavouras de milho segunda safra vigentes, mas pode dificultar os trabalhos de colheita da soja. Até o dia 29 de janeiro, 20% da área estimada de soja estava colhida e cerca de 30% da semeadura de milho 2ª safra estava finalizada.

A produção de milho em Mato Grosso sofreu menos impactos das adversidades climáticas do que a soja, porém os produtores já calculam perdas de até 40% segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Essas perdas são consequências da alta temperatura e da falta d’agua.

Na região de Sorriso-MT, a colheita está ocorrendo mais cedo e cerca de 35% da área plantada nesta safra já foi colhida. Com o calor, o grão ficou menor e mais leve que o esperado. Na área já colhida, o plantio do milho segunda safra segue em ritmo lento pelo baixo volume de chuva.  O plantio do milho segunda safra atingiu 5,6% da área total estimada para o Centro-Sul do Brasil. O Mato Grosso lidera com 15,0%, seguido pelo Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.

A produção de café vem sendo afetada no mês de janeiro devida as temperaturas altas e volumes de chuva acumulados de no máximo 50mm para as regiões produtoras do norte do Paraná, Minas Gerais e Espirito Santo.

Na região de São Gotardo, Estado de Minas Gerais, a produção de hortaliças e legumes vem sofrendo com incidência de doenças acima do normal por causa das altas temperaturas e umidade.

A safra de soja no MATOPIBA    

As projeções de safra, MAPA 5, geradas pelo Sistema TEMPOCAMPO para a safra 2018/19 na região do MATOPIBA apontam queda de 7% na produtividade para o cenário intermediário em relação à safra passada. Esta projeção baseia-se principalmente no volume limitado de chuva e sua má distribuição nos 4 estados afetando a produtividade das lavouras. O Sistema TEMPOCAMPO prevê que a produção de soja para a região do MATOPIBA deverá ficar entre 13,35 a 15,1 milhões de toneladas, considerando os cenários pessimista e otimista, respectivamente.

 

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